• L. HERINGER | J. CENDRETTI

Objetos | Híbridos

Como uma mídia de potente produção crítica, a videoarte se torna uma via fértil para a discussão de aspectos comunicativos urbanos, possibilitando uma reflexão dialética entre as várias formas de mídias, sendo assim um objeto artístico perfeito para a discussão de hibridização midiática, e em especial a análise da linha tenue entre as artes do video e o cinema em si.


A curadoria objetos | híbridos que reune tanto videoartes quanto curtas metragens com uma abordagem experimental do cinema, vem no intuito de trazer referências (históricas e contemporâneas) para a mesclagem e inovação em mídias, e como essas pontes semânticas são criadas entre o audiovisual e a arte visual, visto que os autores abordados na curadoria tem origens distintas mas o mesmo destino, sendo esse a mistura de linguagens.


Curadoria feita em parceria com L. Heringer




American Reflexxx

Alli Coates

2015

14'



[ Um curta-metragem que documenta um experimento social que ocorreu em Myrtle Beach, Carolina do Sul. Alli Coates filmou a artista Signe Pierce enquanto a mesma performava por uma movimentada rua à beira mar, em trajes comumente associados a strippers e usando uma máscara reflexiva. A dupla concordou em não se comunicar até que o experimento fosse concluído, mas nunca antecipou o horror que se desenrolaria em menos de uma hora. O resultado é um espetáculo de technicolor que levanta questões sobre estereótipos de gênero (a performer é uma pessoa cis), a mentalidade de manada e a violência nos Estados Unidos. ]




Outer Space

Peter Tscherkassky

1999

10'




[O filme corta crepitante, a trilha sonora range, suprimida, sufocada. Imagens encontradas de Hollywood constituem a base do filme. A figura que se esgueira pelas imagens, que é jogada por elas e que as ataca é Barbara Hershey. O dramático quadro a quadro de Tscherkassky recicla, re-copia e superexpõe o material, dobra as imagens e os quartos uns nos outros. Ele remove o chão sob os pés do observador e divide os rostos, como em um pesadelo. De fora, do espaço, corpos estranhos penetram nas imagens e fazem a montagem entrar em pânico. As bordas externas da imagem do filme, as perfurações vazias e os esqueletos da trilha sonora óptica ensaiam uma invasão, como se a energia cinética do desenrolar da película de celuloide atormentasse o material vivo que ela contém.]




Fire Cock

Andrew T. Huang

2017

3'




[Feito numa colaboração entre Huang e o coletivo de arte Eternal Dragonz, a videoarte documenta a avó do diretor e seus irmãos jogando mahjong, utilizando da câmera lenta para dar um tom ritualístico à cena com o intuito de invocar uma prática oracular, mesclando essa captação com um escaneamento fotogramétrico da deidade guerreira chinesa Guan Yu. Se esta prática invoca ou não a divindade guerreira como um protetor da paz ou um incitamento à ação, a ambiguidade é traduzida pelo enxame de emojis, que rolam em primeiro plano colocando essas imagens no formato de streaming ao vivo de vídeo em que o público digital pode emocionalmente "reagir" aos horrores de eventos globais em tempo real a partir do conforto de seus navegadores. Aqui os emojis aparecem como símbolos de violência: armas nucleares, punhais, explosões, e - como o título referencia - bolas de fogo e galos.]




Site Recite (a prologue)

Gary Hill

1989

4'




[Com precisão surpreendente, o Site/Recite se move através e ao redor de um cemitério no topo da mesa - ossos, asas de borboleta, cascas de ovos, vagens de sementes, notas amassadas, crânios - em uma série de edições contínuas que apresentam um fluxo contínuo de close-ups detalhados. Esta taxonomia de despossessão, "pequenas mortes que se acumulam", é justaposta a uma narração sobre a ligação entre a autoconsciência semântica e a experiência visual. Através da janela deste texto, os objetos sobre a mesa vêm a modelar como a consciência se afixa às manifestações materiais e como a memória é constituída pela coleção de vasos vazios.


"[...] uma câmara que muda constantemente de foco, de tal maneira que essas variações de foco, essas modulações do distinto ao indistinto em vários planos se desenrolam à mesma velocidade que o texto lido, e são quase síncronas com os fonemas pronunciados, sugerindo uma decifração, como se fossem um código. Neste caso, a imagem move-se como uma boca." (CHION, 1993, p. 129).]





Polytechnique

Scott Barley

2014

12'





[Numa colaboração audiovisual entre o músico italiano Easychord e o cineasta britânico Scott Barley., a imagem é guiada pela assombração corporal da trilha sonora, os visuais do curta exploram e invocam os conceitos de cinema de prisioneiros, fluxo de consciência, entre outros conceitos abstratos como o corpo primordial, entidades fundamentais para o cosmos e planos astrais, nos levando para uma viagem no incógnito.]


- para assistir clique aqui. -




Thunder

Takashi Ito

1982

5'





[O rosto de uma mulher desaparecendo atrás, e emergindo de, um par de mãos. luzes piscando. Um prédio vazio cheio de corredores escuros. Traços desenhados no ar com cinematografia leve e de longa exposição, acompanhados de uma sincronia sonora veloz que permitem à luz tomar materialidade junto ao edifício.

Um filme que poderia ser um esquema unificado produzido pela sobreposição de uma série de eixos de sistemas semióticos. Com o quadro como a unidade básica, o filme é composto por um acúmulo de símbolos que representam reações à luz.]






HOUSE OF SKIN

Sabrina Ratté

2020

10'





[Uma instalação audiovisual de larga escala onde a câmera revela lentamente entidades encarnadas com tecnologias, refletindo sobre a morte. Deitada nessa terra estranha, mista de cemitério e depósito de lixo, mutações obsoletas que foram abandonadas para criar um novo ecossistema, pairando entre vida e morte. Sabrina declarou que as entidades são inspiradas em diferentes filmes do diretor David Cronenberg (The Fly, Videodrome, etc.), e o título da obra referencia o filme Crimes of the Future, arrancando do repertório de Videodrome em que o corpo é uma forma de tecnologia em si, as formas representam essa manifestação corpórea, batimentos cardíacos, sinais cerebrais, sangue, entre outros.]


- para assistir clique aqui. -




ATMAN

Toshio Matsumoto

1975

12'





[ATMAN é um grande feito visual baseado na ideia do assunto no centro da cena circulado por uma câmera em 480 posições . Filmando quadro a quadro, o cineasta criou um movimento circular cada vez mais rápido. ATMAN é uma das primeiras divindades budistas muitas vezes conectada com a destruição; o aspecto japonês é enfatizado pela máscara do diabo de Hangan, do Noh, e usando tanto a música Noh quanto o princípio geral de aceleração, muitas vezes associado ao drama de Noh.]



Referências:


SANTAELLA, Lucia. Cultura das mídias. 4a. ed. São Paulo: Experimento, 1992 [2003a].


______. Culturas e artes do pós-humano: Da cultura das mídias à cibercultura. São Paulo: Paulus, 2003b.


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