• J. CENDRETTI

mundos espectrais

Nossa percepção da realidade é condicionada pelo local que nos posicionamos frente a uma representação do real. O ensaio curatorial mundos espectrais te convida para uma viagem audiovisual de visitação à novas dimensões e universos através de videoclipes.

Então para começar nossa estadia entre mundos, adentraremos no universo de APKÁ!

Uma onda lisérgica ou uma visão distópica do Brasil? Céu convida para uma viagem em nossa própria mitologia com corpocontinente. Cantora e compositora, em janeiro desse ano lançou um audiovisual para a canção carregada de simbolismos cibernéticos contrastando com a sonoridade calma da faixa.

corpocontinente

Céu

Direção de Rodrigo Saavedra

2020

Não só em outros planetas habitam universos espectrais, a dupla Ibejy nos leva para o espaço entre o físico e o espiritual. As gêmeas franco-cubanas Lisa-Kaindé e Naomi Díaz produzem musicas que hibridizam elementos de jazz, música eletrônica e cantos iorubas, trazendo a cultura cubana, a espiritualidade e ancestralidade da Santería em sua obra. No clipe de Oya, nos encontramos em um local de reconexão e contemplação das forças naturais, utilizando de sobreposições orgânicas e distorções para se desprender do mundo palpável.


Oya

Ibeyi

Direção de ScanLAB

2014

Janelle Monáe lançou em abril de 2018 um filme para seu disco homônimo Dirty Computer, os videoclipes previamente lançados se conectam por pontes narrativas entre as faixas, e a “imagem emocional” (como define a artista) conta a história de uma jovem chamada Jane 57821, que vive numa sociedade totalitária num futuro possível, onde as identidades são referidas como computadores. O filme explora a humanidade e o que realmente acontece com a vida, a liberdade e a busca da felicidade quando a mente e as máquinas se fundem, e quando o governo escolhe o medo sobre a liberdade.


Dirty Computer [Emotion Picture]

Janelle Monáe

Direção de Andrew Donoho e Chuck Lightning

2018

[Deixe de lado, como você me conhecia, deixe de lado, o que eu costumava ser…]

Com profundidade e suavidade a cantora, compositora e DJ sueca Robyn da voz a faixa Monument, fruto do EP Do It Again de 2014 colaboração com a dupla norueguesa Röyksopp, com um clipe totalmente meditativo que mescla visualizações orgânicas, arquitetônicas e cósmicas.

[Este será o meu monumento, este será um farol quando eu me for] vai outra linha da canção, analisando as implicações privadas e políticas de um monumento com simplicidade de sobra. No nível literário, não há melhor metáfora para uma ponte entre o indivíduo e o histórico do que um monumento, e nisso a obra nos leva a uma reflexão sobre a morte, a vivência e o legado que escrevemos em nosso próprio mito.


Monument

Röyksopp e Robyn

Direção de Max Vitali

2014

Sob a direção de Nabil, a cantora, produtora, compositora e dançarina FKA twigs apresenta o mundo remoto de Two Weeks. Remetendo aos primórdios da arte grega e sob forte influencia da estética do Egito Antigo, a cantora aparece performando envolta de diversas figuras - interpretadas pela própria FKA - em uma linha narrativa sem interrupções, onde a câmera lentamente revela o espaço construído em uma outra realidade. Proporções são distorcidas, elementos simbólicos por toda extensão da tela, junto a performance da dançarina trazendo uma obra visualmente impactante e sensualmente inesquecível.


Two Weeks

FKA twigs

Direção de Nabil

2014

Primeira faixa lançada para seu nono álbum de estúdio Utopia, Björk com The Gate nos convida a entrar no mundo de seu novo trabalho, fazendo uma bela transição de seu disco anterior Vulnicura, como fala a artista em entrevista a revista Dazed:

[é essencialmente uma canção de amor, mas eu digo 'amor' de uma forma mais transcendente. Vulnicura foi sobre uma perda muito pessoal, e eu acho que este novo álbum é sobre um amor que é ainda maior. é sobre redescobrir o amor - mas de uma forma espiritual, por falta de uma palavra melhor.]

com essa ideia de transcendência, Björk supera a percepção do hodierno nos mostrando a visão de uma realidade fantástica, numa dança ritualística entre ela e outros avatares, também é possível ver uma clara referência aos chakras, centros energéticos cujo estudos surgiram nas antigas escrituras hindus Upanishads.


The Gate

Björk

Direção de Andrew Thomas Huang

2017


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