• J. CENDRETTI

LUX FANTASMA


fóton que vira pixel, pixel que vira byte, byte vira música.

a luz que pinta uma superfície, a imagem virtual, óptica, fantasma, evoluiu junto com as tecnologias. Inicialmente em setores mais herméticos, mas as novas estéticas que a visualidade pós-virtual trouxe já se imprimiu na cultura, e particularmente nos videoclipes. lux fantasma procura mapear esses flashs que juntam o som e o visual, comungando em obras únicas que indicam caminhos para seu meio, seja na indústria pop ou em seus nichos independentes, tanto nacionalmente quanto internacionalmente, resultando num ensaio sobre futuros que existem no hoje, modificando nossa percepção da linguagem musico/visual e abrindo campos de experimentações e inovações.



{ inteligência artificial em sincronia }


Eternal

Holly Herndon

Direção por Mathew Dryhurst

2019


[o clipe da música Eternal segue a jornada solitária da máquina enquanto ela analisa e conecta faces humano mediadas pelo reconhecimento facial, numa colagem dançante de olhos, orelhas e boca, que se protagoniza em frente da câmera mediadas pelo reconhecimento facial.

A artista desenvolveu um programa de inteligência artificial chamada "Spawn", que assistiu o trabalho tanto de Eternal como outras músicas de seu último álbum, PROTO de 2019. Para o clipe, as I.A. atuou tanto visualmente como sonoramente, Spawn utiliza as amostras de voz da cantora para obter renderizações alternativas de seu vocal.]



{ tempo esférico, memória glitch }



Amor Pixelado

Céu

Direção por André Meirelles Collazzi

2019


[A cantora e compositora paulistana Céu nos leva para o intimista ambiente boêmio no clipe de ''Amor Pixelado''. Filmado em 360º e dirigido por André Meirelles Collazzi, esse é o terceiro clipe de Tropix, seu premiado disco de 2016. O clipe permite que o usuário tenha uma múltipla navegação fazendo com que ele decida todos os enquadramentos do vídeo, tendo Céu suas inspirações do artista visual dinamarquês Olafur Eliasson, Desde o início, a ideia da produção foi exaltar as potências femininas. Com uma equipe de direção formada 100% por mulheres, a construcão foi um trabalho feito pela Céu, em conjunto com a atriz Thaia Perez, e as integrantes do grupo de pequisa em cinema AP43 (grupo liderado pela roteirista e diretora Nara Sakarê). A coreografia foi montada pela coreógrafa Tarina Coelho.

“Quando se fala em vídeo 360º, tudo está em quadro, tudo é narrativa, tudo vira cena. Desde o ônibus que passa na rua até os movimentos mais sutis das atrizes. Foi uma oportunidade criativa para testar uma nova e potente tecnologia” diz Collazzi.]


{ fabulação no simulador }


Frontline

Kelela

Direção por Claudia Matè, Kelela e Mischa Notcutt

2018


["The Sims" é a maior inspiração do visual para a música "Frontline" de Kelela. A cantora desenvolveu o conceito do clipe com Mischa Notcutt, enquanto Claudia Matè dirigiu animação e efeitos visuais para a simulação. "Com esse vídeo do tipo The Sims, pude contar minha história de uma forma alegre, mas dramática", disse Kelela em uma declaração à Rolling Stone. "Trata-se de deixar o seu ex com o vento no seu cabelo enquanto reconhece um sentimento de dor curiosamente complexo que ele te deixou para uma mulher branca."]


{ entre bytes e píxeis }


Night

Kelly Lee Owens

Direção por Félix Gourd

2020


[Em abril de 2020, devido ao adiamento do seu novo disco Inner Song, a artista Kelly Lee Owens lança um visual para a faixa Night, misturando o ambiente minimalistas composto linhas reativas a música e a sonoridade da própria a produtora e musicista eletrônica galesa nos convida a uma imersão entre audio/visual. Ela comentou em entrevista: “Esta faixa fala de como os sentimentos e a compreensão são-nos mais acessíveis à noite – de como os véus são, de certo modo, mais finos e de como, por isso, somos mais capazes de nos relacionarmos com os verdadeiros desejos do nosso coração. Queria partilhar esta faixa como um presente para vocês, durante estes tempos de loucura, dar-vos a todos vocês uma parte do meu coração.”]


{ conversação entre dados }

* este vídeo não é recomendado para pessoas fotosensíveis*


20:03 [Y] HOW IS THAT POSSIBLE?

Jung An Tagen

Direção por Stefan Juster

2018


[Termos físicos como gravidade e escala desempenham um papel importante para a música de Jung An Tagen, como Stefan Juster, o homem por trás do pseudônimo, nos diz. Eles também encontram o seu caminho de volta para a linguagem visual projetos. O musicista conta: "Ultimamente eu desenvolvi um interesse na estética das visualizações científicas. Eu gosto de como nós as traduzimos. Por acaso, deparei-me com o trabalho do Parque Jeong-Ho e perguntei-lhe se ele poderia ajustar um trabalho anterior de visualizações do CERN dele às minhas necessidades (há um enorme arquivo desses dados online). Assim que tive acesso a esse material, o vídeo basicamente cortou-se sozinho. Eu também estava trabalhando naquela época com técnicas de película cintilante, e queria aplicar essa coisa que eu chamo de 'estroboscópio complementar': Uma sequência rosa/verde que aciona todos os tipos de cores quando você olha para ela. Então, Scott Sinclair, com quem trabalhei muito no passado, deslizou o vídeo para dar mais profundidade.'']


{ paisagens digi-sonoras }


T69 Collapse

Aphex Twin

Direção por Weirdcore

2018


[O vídeo de Weirdcore explora formas, cores e texturas através de efeitos de morphing e glitchy. Mas desta vez, o artista introduz várias paisagens urbanas e terrenos na mistura, como se o espectador estivesse experimentando uma realidade virtual em colapso em um buraco negro. Weirdcore explica: "A primeira terceira parte é todo o vídeo processado em uma videogrametria, seguida por uma colagem de digitalização 3D de vários lugares na Cornualha, digitalizada de forma fotogrametria e, em seguida, usando cargas de texturas digitalizadas em 3D. Esses motores de renderização abriram a porta para diferentes olhares e técnicas.]



{ arquivos em colapso }


Circuit Break

Noporn

Direção por Duto

2020


[Em Circuit Break, a produção descreve de forma semiótica o temor pandêmico, o registro caótico trás um retrato do momento, imagens misturadas, pane no sistema e falha na exibição. O video traz confusão, cenas de protestos, intervenções artísticas, relatos do cotidiano, tudo numa montagem precisa de um conteúdo caótico. Duda, uma das diretoras, revela um pouco mais da inspiração do clipe: “Para Circuit Break, queríamos ampliar a potência da música como um retrato de 2020. Realizamos diferentes técnicas de edição para ampliar nas colagens dos intensos assuntos que percorreram o ano. Nosso processo consiste em dialogar com as imagens potentes tanto do passado quanto do presente, criando um amalgamado de sensações.”]


{ sentimento molecular }


Oceanos

Ava Rocha

Direção por Sofia Tomic

2016


[Ava desconstrói - literalmente - o mar em seu clipe Oceanos, a faixa encerra o disco Ava Patrya Yndia Yracema (2015), e o clipe é dirigido por Sofia Tomic, amiga de infância de Ava, que utilizou da técnica datamosh para criar seu visual. Pixels se fundem e formam a imagem espectral de um grande redemoinho colorido e difuso; poesia concreta, silêncio e glitches marcam o clipe num sincero mergulho na melodia da cantora, eficaz e simples. ]



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