Registros do artista em pé, caminhando trajando colete amarelo com palavras "COMPRO SEUS DADOS"
Registros do artista em pé, caminhando trajando colete amarelo com palavras "COMPRO SEUS DADOS"

Compro seus dados 

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{2020}

Brüno Melo

[A performance "Compro seus dados" foi apresentada sem autorização prévia durante o Festival Internacional de Arte de São Paulo em 2019, no Pavilhão da Bienal.
Nesta primeira versão, o trabalho consistiu no ato de transitar pelos corredores entre galerias e espaços do festival utilizando um colete amarelo estampado com escritos de anúncio comercial, chamando atenção para as palavras "Compro seus dados". O colete é análogo aos trajes utilizados por comerciantes de ouro, nos quais a frase "compro ouro" está sempre em evidência. Este tipo de anúncio é comum nas ruas e bairros comerciais de São Paulo e outras capitais brasileiras. Essas pessoas são responsáveis por divulgar esse tipo de negócio, no qual objetos de valor (ouro, jóias, relógios etc.) são analisados e precificados.

O desenvolvimento da performance tem como ponto de partida o grande escândalo da empresa Cambridge Analytica em 2017, no qual os jornais New York Times e The Guardian revelaram que a empresa utilizou dados de cerca de 50 milhões de usuários vazados para empresas de marketing político, com a finalidade de traçar o perfil psicológico detalhado de eleitores nos Estados Unidos. A empresa interferiu diretamente nas eleições de muitos países, como méxico, malásia e vários países do continente africano. No Brasil, a Cambridge Analytica aterrissou em 2017, com o nome CA Ponte e um inquerito sobre a empresa ocorre sob sigilo até hoje. Além disso, existem ligações fortes entre a campanha do atual presidente da república com Steve Bannon, estrategista da campanha de Trump.
Dados em redes sociais como trajetos diários, gostos e pesquisas recentes são algumas das várias possibilidades de informações intangíveis que geram valiosos apontamentos psicográficos sobre os usuários. “Compro seus dados" indaga a sensibilidade da privacidade em relação às informações pessoais, assim como sua venda a grandes empresas.
Contextualizado no ambiente do evento como lugar de comércio, promove um tom de satirização e provocação sobre o mercado da arte e a venda de produtos imateriais.
A performance segue em experimentação de espaços para sua realização. Como pesquisa em andamento, se direciona sobre a relação entre o local que é realizada e a potência que ganha de acordo com local que é executada. Futuras versões incluem experimentos em mais localizações.]