A fotografia foi realizada por uma dupla-exposição, uma junção de duas imagens. Pode-se notar um rosto, que preenche todo o enquadramento simetricamente, mesclado com um circuito eletrônico, similar ao de uma placa mãe. Os pontos e linhas desse circuito formam caminhos que parecem se conectar com a face. Especialmente na região da testa e dos olhos, há um acúmulo de componentes eletrônicos que se encaixam nos traços do rosto humano. Estes elementos que se interligam possuem uma profusão de cores rosa, verde, roxo, amarelo e azul. A imagem alude a uma mistura entre organismo natural e tecnológico.

 Interface Híbrida 

</fotografia>

{2020}

Nina Cristofaro

[ Essa obra parte de uma reflexão do corpo híbrido, mistura entre organismo e tecnológico que dialoga com conceitos de ciborgue e pós-humano. Para além da questão de aparelhos e máquinas que prolongam órgãos do corpo humano, a obra reflete nos desdobramentos da condição de sujeito tecnológico, aquele que tudo assiste, registra, reproduz, interfere e está em vínculo permanente com diversas tecnologias. A sociedade se encontra em uma dimensão codificada, calculada e estruturada entre programadores e programados. O senso de realidade se perde em informações e imagens transportáveis, em códigos eletrônicos que se dissipam em nosso imaginário. A construção do sujeito contemporâneo atravessa processos artificiais da cultura de mídia e do mundo digital, que mecaniza e modifica as relações humanas. A remodelação de corpos, pensamentos e comportamentos em um organismo ocorre na mesma condição de circuito eletrônico que conecta e interliga diversos componentes para que um sistema maior funcione.  ​]